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Aleitamento materno e o marketing agressivo de fórmulas infantis
img 27 abr/2022

Aleitamento materno e o marketing agressivo de fórmulas infantis

Mais de 50% dos pais e gestantes estão expostas ao marketing agressivo das fórmulas infantis, alerta relatório da OMS

Um novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) e Unicef (Fundo Internacional de Emergência das Nações Unidas para as Crianças) apontou que mais da metade das mães, pais e mulheres grávidas (51%) disseram que já foram alvo de marketing das empresas de fórmulas infantis, substituto do leite materno. A pesquisa levou em conta os dados de 8,5 mil pais e mulheres grávidas e 300 profissionais de saúde em cidades de Bangladesh, China, México, Marrocos, Nigéria, África do Sul, Reino Unido e Vietnã que participaram do inquérito da OMS.

O relatório, intitulado “Como a publicidade ao leite de fórmula influencia as decisões sobre a alimentação dos nossos filhos”, apontou que a exposição ao marketing de fórmulas infantis chega 84% do total de mulheres consultadas no Reino Unido; 92% das mulheres entrevistadas no Vietnã e 97% das mulheres pesquisadas na China, aumentando a probabilidade de escolher alimentar seus bebês com fórmula infantil.

O relatório também traz um alerta: cada vez mais as mulheres são também influenciadas pelos próprios profissionais de saúde. Os pesquisadores concluíram que as estratégias de marketing para influenciar as escolhas das famílias incluíam segmentação online não regulamentada e invasiva; redes de aconselhamento e linhas de apoio patrocinadas; promoções e brindes; e práticas para influenciar a formação e recomendações entre profissionais de saúde.

Esses argumentos utilizados pela indústria de fórmulas infantis geraram, só em 2019, US$ 55,6 bilhões em vendas e, segundo a OMS e a Unicef, são frequentemente contrárias ao Código Internacional de Comercialização de Substitutos do Leite Materno, enganosas e não cientificas.

Para a nutricionista e conselheira do Conselho Regional de Nutricionistas da 3ª Região (SP/MS), Camila Silva Viola Alves, a informação falsa e enganosa sobre os substitutos do leite materno são um grande obstáculo à amamentação. “Os substitutos do leite materno vêm com um marketing antiético muito apelativo e agressivo trazendo frases e falas de grandes benefícios do produto como adição de nutrientes que irão fazer super bem para o desenvolvimento do cérebro da criança como se a fórmula infantil fosse melhor que o leite materno”, explica.

Alerta

Ela ainda faz um alerta: “Eles vendem soluções para as dores das recém mães e para os problemas das dificuldades da amamentação. E isso, em um momento de cansaço, de fragilidade e vulnerabilidade da mãe, certamente irá fazer ela abandonar a amamentação em troca da fórmula infantil”.

Falando das vantagens do leite materno, Camila enfatiza que ele traz componentes imunológicos que jamais nenhuma fórmula ou outro leite vai conseguir trazer. “Uma criança que é amamentada adoece menos, tem uma construção de seu sistema imunológico muito maior do que aquela criança que recebe fórmula infantil, sem contar os milhões de benefícios para o binômio mãe-filho, para a sociedade e para o planeta. "A amamentação salva vidas, é econômica e é fundamental para a construção de um mundo mais saudável", conclui.

Ainda assim, “apenas 44% dos bebês com menos de 6 meses de vida são exclusivamente amamentados”, diz o estudo. Para enfrentar esses desafios, a OMS, o Unicef e seus parceiros estão pedindo aos governos, aos profissionais de saúde e à indústria de alimentos infantis que acabem com o marketing abusivo de fórmulas infantis e implementem e respeitem plenamente os requisitos do Código Internacional de Comercialização de Substitutos do Leite Materno, o que inclui aprovar, monitorar e aplicar leis para impedir a promoção de substitutos do leite materno, investir em políticas públicas e programas de apoio ao aleitamento materno, incluindo licenças parentais remuneradas adequadas e solicitar que a indústria se comprometa publicamente a cumprir integralmente o Código e as subsequentes resoluções da Assembleia Mundial da Saúde em todo o mundo, assim como a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras (NBCAL).