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1 de Dezembro: Dia Mundial de Luta Contra a AIDS
img 01 dez/2021

1 de Dezembro: Dia Mundial de Luta Contra a AIDS

Texto elaborado pela nutricionsita Lenita Borba 

Transformar o 1º de dezembro em Dia Mundial de Luta Contra a Aids foi uma decisão da Assembleia Mundial de Saúde, em outubro de 1987, com apoio da Organização das Nações Unidas – ONU. A data serve para reforçar a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão com as pessoas infectadas pelo HIV/aids.

Essa data foi instituída como forma de despertar a necessidade da prevenção, promover o entendimento sobre a pandemia e incentivar a análise sobre a aids pela sociedade e órgãos públicos. No Brasil, a data começou a ser comemorada no final dos anos 1980, envolvendo os governos federal, estaduais, distrital e municipais e organizações sociais. 

Ao longo de mais de 40 anos, fomenta-se a valorização do ser humano através de movimentos que envolvem a solidariedade e a humanização, em busca da consolidação de ações permanentes para melhora da qualidade de vida através da disseminação de informação e programas de saúde.

A desconstrução do preconceito sobre as pessoas vivendo com HIV/aids e sua conscientização sobre comportamentos seguros de prevenção são temas importantes que devem ser discutidos para que possamos extinguir o preconceito como aspecto de vulnerabilidade ao HIV/aids.

A partir do tratamento, as pessoas têm uma maior qualidade de vida, novas perspectivas, o desejo de relacionar-se afetivamente, trabalhar, estudar, ter filhos, enfim, ter projetos de vida. Isso se tornou uma questão importante, não só para essas pessoas, mas para toda a sociedade.

Daí a importância de combater a discriminação, o preconceito e o estigma que envolve a doença por meio do protagonismo das pessoas que vivem com HIV.

Evocando as atividades de luta já em curso e encorajando novas iniciativas, o Dia Mundial de Luta Contra a AIDS contribui para edificar uma ação durável contra a AIDS.

E para haver um registro de todo este processo, o laço vermelho passou a ser o símbolo da luta contra a AIDS. O projeto do laço foi criado, em 1991, pela Visual Aids, grupo de profissionais de arte, de New York, que queriam homenagear amigos e colegas que haviam morrido ou estavam morrendo de AIDS.

O vermelho representa é o momento de participar, refletir e desmistificar o HIV, quebrar o tabu da AIDS. O enfrentamento deste estigma reduz o preconceito e a discriminação através da humanização. 

A Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) foi identificada em 1981. Seu agente etiológico é o HIV (human immunodeficiency virus). A evolução natural da infecção caracteriza-se pela intensa e contínua replicação viral que leva à alteração do sistema imune. Transmitido pelo contato com sangue, sêmen ou fluidos vaginais infectados, o HIV afeta especificamente as células do sistema imunológico, que sem o tratamento antirretroviral (TARV) torna o organismo, ao longo do tempo, incapaz de lutar contra infecções (AIDS). Muitas pessoas que estão infectadas com o HIV não têm nenhum sintoma durante 10 anos ou mais. A única forma de prolongar a vida das pessoas infectadas pelo HIV é com o tratamento antirretroviral, pois até o momento, não há previsões de cura.

Atualmente, cerca de 920 mil pessoas vivem com HIV no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde. Dessas, 89% foram diagnosticadas e 77% fazem tratamento com medicamentos antirretrovirais, que são remédios para impedir a multiplicação do vírus no organismo, distribuídos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

 Apesar da eficácia do tratamento antirretroviral do HIV ser uma realidade, sendo a infecção pelo HIV considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), uma "infecção crônica", vários outros agravos à saúde estão relacionados à ação do HIV, dos medicamentos antirretrovirais, e do próprio envelhecimento. Os efeitos adversos dos antirretrovirais, a ação do vírus HIV, podem causar alterações metabólicas associadas ao processo inflamatório.

Neste contexto, o aconselhamento nutricional gera uma significativa melhora na qualidade de vida de portadores do vírus HIV.

O nutricionista passa a ter um papel fundamental neste processo e deve estar bem preparado para lidar com todas essas questões e a diversidade de pessoas durante o aconselhamento nutricional, com acolhimento, empatia, escuta ativa e humanização em conjuntos ao conhecimento técnico/científico.

O papel do nutricionista vai muito além da terapêutica nutricional a partir do momento em que a humanização no tratamento do HIV destaca-se como um tema essencial para o aprimoramento da qualidade do relacionamento humano dentro dos ambientes de saúde. Onde o principal objetivo é fornecer um atendimento mais qualificado, com a proposta de unir comportamento ético, conhecimento técnico e o entendimento necessário do histórico do paciente.

A comunicação é uma das ferramentas mais importantes para o processo de humanização da área da saúde. Isso acontece porque muitas das dificuldades enfrentadas pelos pacientes e equipe multiprofissional, podem ser evitadas quando se escuta com atenção, há acolhimento e consideração a respeito das necessidades e queixas dos pacientes.

Humanização precisa ser uma palavra de ordem no tratamento de pacientes com HIV, pois, afinal, trata-se de seres humanos em condições de fragilidade. O olho no olho, sorriso, cordialidade e preocupação em entender o indivíduo como um ser integral são alguns dos aspectos fundamentais para garantir uma experiência positiva.

Um atendimento humanizado também deixa o paciente mais otimista em relação aos processos. Assim, se ele for encorajado a enfrentar todas as etapas com otimismo, é possível que ele consiga ter em seu atendimento mais segurança e consequentemente, mais eficiência.

Outro aspecto importante, dentro do atendimento humanizado, é a geração da memória afetiva do paciente. Quando o nutricionista oferece acolhimento, atenção e escuta, as pessoas podem se lembrar de relações positivas e esse fator também dá mais força para o enfrentamento das questões que permeiam a saúde. 

Sendo assim, intensifique a humanização no atendimento ao portador do HIV, e não poupe esforços para melhorar a vida dos pacientes.