Notícia

1 de Dezembro: Dia Mundial de Luta Contra a AIDS
img 01 dez/2020

1 de Dezembro: Dia Mundial de Luta Contra a AIDS

O Dia Mundial de Luta Contra a AIDS, 1º de dezembro, foi instituído em 1988 pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma data simbólica de conscientização para todos os povos sobre a pandemia de AIDS. As atividades desenvolvidas nesse dia visam divulgar mensagens de esperança, solidariedade, prevenção e incentivar novos compromissos com essa luta. A iniciativa foi referendada pelo Sistema das Nações Unidas, por meio da Assembleia Mundial de Saúde, e tem o apoio dos governos e organizações da sociedade civil de todos os países.

 

O objetivo deste dia, com mais de 30 anos de luta e solidariedade, é contribuir para consolidar uma ação durável e permanente, com a construção social da política nacional e de controle da AIDS, com justiça, equidade e universalidade, de forma gratuita e de qualidade, para garantir o tratamento das pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA) e a prevenção de novas infecções pelo HIV. Atualmente 37,9 milhões de pessoas vivem com HIV no mundo.

 

A construção histórica e a participação dos movimentos sociais, ONG's que surgiram após a implementação da política governamental no âmbito nacional, juntamente com a construção do Sistema Único de Saúde - SUS, instituído constitucionalmente em 1988, resultou no Programa Nacional de DST/AIDS sob responsabilidade do Ministério da Saúde (MS), em 2019 o Departamento de DST, Aids  e Hepatites Virais troca de nome e passa a se chamar "Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. A campanha de 2019 do Ministério da Saúde com o tema “ HIV/aids, Se a dúvida acaba, a vida continua” está disponível no site do MS e nas mídias sociais.

 

Neste cenário destacam-se a Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (abiaids.org.br), Grupo de Incentivo à Vida (giv.org.br),  Movimento Nacional das Cidadãs Positivas (mncp.org.br), Rede Nacional de PVHA  RNP+ (rnphva.org.br) entre outros, que juntos mantém a luta contra o estigma, preconceito, discriminação e desinformação da sociedade, das populações vulneráveis tais como, gays, bissexuais, homens que fazem sexo com homens, transexuais, pessoas que usam drogas, pessoas privadas de liberdade e trabalhadores do sexo, enfrentando a discriminação de todas as pessoas com ativismo e informação.

 

“A linguagem molda as crenças e pode influenciar os comportamentos” (UNAIDS).

 

UNAIDS é o programa das Nações Unidas criado em 1996 e tem a função de criar e ajudar nações no combate à AIDS. Tem como objetivo prevenir o avanço do HIV, prestar tratamento e assistência às pessoas acometidas pela doença e reduzir o impacto socioeconômico da epidemia.

 

Juntamente com o Programa Mundial de Alimentos (PMA) que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2020, pelos esforços do PMA para garantir a Segurança Alimentar para todas as pessoas, incluindo pessoas vivendo com HIV e AIDS, salvaram inúmeras vidas e preveniram a fome e a desnutrição em países de todo mundo. Para as pessoas que vivem com HIV, a alimentação e a nutrição são componentes essenciais de cuidado e apoio, e devem ser sustentados em longo prazo, durante todo o tratamento ao longo da vida.

 

O tratamento do HIV (vírus da imunodeficiência humana) no Brasil é garantido por lei, eficaz, gratuito e universal, tem contribuído para o aumento da expectativa de vida dos soropositivos brasileiros, com boa adesão de acordo com o protocolo técnico orientado pelo Ministério da Saúde - MS, permite maior chance de sucesso no tratamento das pessoas vivendo com HIV e AIDS (PVHA).

 

O diálogo sobre HIV e AIDS com os profissionais de saúde, médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, educadores físico, farmacêuticos e demais profissionais das equipes multiprofissional e interdisciplinar, da rede pública e privada, se faz imprescindível para romper as principais barreiras para o tratamento do HIV.

 

O acolhimento, a escuta ativa, a atenção às necessidades de saúde das PVHA, contribuem para a formação do vínculo, da boa adesão ao tratamento e sucesso do projeto terapêutico para uma vida plena e saudável.

 

Apesar da eficácia do tratamento antirretroviral do HIV ser uma realidade, sendo a infecção pelo HIV considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), uma "infecção crônica", vários outros agravos à saúde estão relacionados à ação do HIV, dos medicamentos antirretrovirais, e do próprio envelhecimento. Os efeitos adversos dos antirretrovirais, a ação do vírus HIV, podem causar alterações metabólicas associadas ao processo inflamatório, tendo como consequências a dislipidemia, as alterações ósseas, o maior risco para doenças cardiovasculares e a diabetes. Muitas PVHA ainda enfrentam a Lipodistrofia (síndrome caracterizada por alterações na redistribuição da gordura corporal), que tem impacto diretamente na adesão ao tratamento e autoestima, com importante impacto psicossocial.

 

Neste contexto o nutricionista deve estar bem preparado para lidar com todas essas questões e a diversidade de pessoas durante o aconselhamento nutricional, com acolhimento, empatia, escuta, aliados ao conhecimento técnico, na sua prática diária com portadores do HIV e AIDS, trazendo novos desafios para a promoção da integralidade do cuidado em saúde.

 

O acompanhamento nutricional realizado por nutricionista é importante na orientação e planejamento de uma alimentação adequada e saudável, sempre que possível logo após o diagnóstico da infecção pelo HIV, considerando o estágio da infecção pelo HIV e as patologias associadas, tais como diabetes, hipertensão, obesidade, desnutrição, lipodistrofia, estilo de vida e atividade física habitual.

 

As demandas nutricionais devem ser supridas a partir das recomendações nutricionais, com plano alimentar, de forma a garantir o consumo adequado de alimentos, com orientações alimentares adequadas e seguras, mediante a educação nutricional.

 

O Ministério da Saúde incentiva e recomenda a adoção de uma alimentação saudável e a prática de atividades físicas para PVHA através dos Manuais "Manual Clínico de Alimentação e Nutrição na Assistência a Adultos Infectados pelo HIV" (BRASIL, 2006); o manual "RECOMENDAÇÕES PARA A PRÁTICA DE ATIVIDADES FÍSICAS PARA PESSOAS VIVENDO COM HIV E AIDS" (BRASIL, 2012), e o Manual "Recomendações Para a Atenção Integral a Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids" (BRASIL, 2013), que foram utilizados como referência bibliográfica para elaboração deste texto, além de  busca em sites especializados em HIV e AIDS.

 

Os manuais do MS têm como objetivo a disseminação de informações importantes elaboradas por profissionais de saúde com atuação e experiência em serviços de referência em HIV e AIDS e sociedade civil, e visa contribuir com a capacitação dos profissionais da saúde, servir como material de apoio para qualificar o atendimento do nutricionista junto à equipe multiprofissional e participar da melhoria da qualidade de vida das PVHA.

 

O Dia Mundial de Luta contra a AIDS é o momento de participar, refletir e desmistificar o HIV, quebrar o tabu da AIDS. Enfrentar o estigma, o preconceito e a discriminação através do atendimento humanizado. Compartilhar novas informações, ter o entendimento de que a terapia antirretroviral eficaz, conforme prescrito e sob controle que alcançam e mantem uma carga viral indetectável não tem risco efetivo de transmitir o vírus por via sexual, sendo indetectável igual a intransmissível pode ajudar a contribuir com a redução do estigma e preconceito.

 

As novas estratégias de prevenção combinada disponíveis devem ser amplamente divulgadas e adotadas como meio eficaz de redução das novas infecções pelo HIV, porém necessitam de condições estruturais na sociedade, em diferentes momentos da vida de uma pessoa.

 

# Precisamos falar sobre isso

 

Nacle Nabak Purcino – Nutricionista CRN - 3 4020.

Especialização em Nutrição Humana - UFLA;

Especialização em Educação em Saúde para Preceptores do SUS - Hospital Sírio Libanês - MS.

Coordenador do Centro de Referência Academia da Saúde - SMS - PMC – Campinas/SP.

Colaborador do Ministério da Saúde no Departamento  de DTS, Aids e Hepatites Virais.

(2006 a 2013) Área de Nutrição HIV e AIDS.