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Quinta-feira, 23 de maio de 2013
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Hipertenso arterial
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Tratamentos e mudanas comportamentais podem contribuir para regularizao da presso e manuteno da sade


Por dra. Karine de Cssia Freitas*


A hipertenso arterial, ou presso alta, uma doena grave, considerada problema de sade pblica por sua magnitude, risco e dificuldade em seu controle. Equivale a um dos mais importantes fatores de risco para o desenvolvimento de Acidente Vascular Cerebral AVC (derrame) e infarto do miocrdio.

No Brasil, ainda no se dispe de estudos com representatividade significativa em nvel nacional sobre a hipertenso arterial, mas pesquisas mostram prevalncias elevadas, situando-se no patamar de 20 a 45% da populao adulta.

A hipertenso identificada por uma presso sistlica do sangue (que se relaciona ao volume dos batimentos cardacos), de 140 mmHg ou acima e uma presso diastlica do sangue (que mede a resistncia perifrica dos vasos), de 90 mmHg ou acima. Mas importante esclarecer que nveis de presso sistlica acima de 130 mmHg e diastlica acima de 85 mmHg (presso 14x8), j considerado presso alta e requer ateno.

Na maioria dos casos, desconhece-se a causa da hipertenso arterial. Porm, vrios fatores podem ser associados a essa elevao, como sedentarismo, estresse, tabagismo, envelhecimento, histrico familiar, raa, gnero, peso corporal e fatores alimentares. Trata-se de uma doena assintomtica e grande parte dos sintomas no tem relao direta com a presso arterial. Dentre eles, pode-se citar: dor de cabea (geralmente pela manh), tontura, palpitaes e desconforto precordial (dor no peito).

O tratamento da hipertenso arterial compreende dois tipos de abordagem: o farmacolgico, com uso de medicamentos anti-hipertensivos; e o no-farmacolgico, que se fundamenta em mudanas do estilo de vida que favoream a reduo da presso arterial.

Assim, o cloreto de sdio (sal de cozinha) considerado um importante fator no desenvolvimento e na intensidade da hipertenso arterial. O consumo total de sdio pode ser considerado proveniente de trs fontes: 75% de alimentos processados; 10% de sdio intrnseco, ou seja, presente naturalmente nos alimentos; e, 15% de sal de adio (aquele utilizado para tempero do alimento). A orientao nutricional ao hipertenso preconiza a no-ingesto de produtos processados como enlatados, embutidos, conservas, molhos e temperos prontos, caldos de carne, defumados, bebidas isotnicas, alm de preparo das refeies com pouco sal e no utilizao do saleiro a mesa.

O uso de substitutos de sal, como cloreto de potssio, pode ser feito. Porm, preciso lembrar que o emprego desses substitutos dever ser cuidadosamente monitorado nos quadros clnicos de insuficincia renal. Para que haja mais palatabilidade e aceitao, recomenda-se o uso de molhos base de frutas, ervas aromticas e vinagrete no preparo dos alimentos.

Paralelo reduo da ingesto de sdio, deve-se elevar a ingesto de potssio, por meio da prpria alimentao, sendo importante ressaltar que essa orientao no indicada a pacientes com problemas renais. Essa recomendao pode ser alcanada mediante aumento do consumo de alimentos ricos em potssio, como: frutas (amora, abacate, banana, melo, maracuj), gro e cereais (feijo, gro de bico, ervilha fresca e seca, aveia, germe de trigo), hortalias (beterraba, batata, rabanete, cenoura, car, salsa, almeiro, couve-manteiga, chicria, espinafre), entre outros.

A associao entre hipertenso arterial e obesidade reconhecida h muitos anos. A reduo de peso a maneira no-farmacolgica mais efetiva no controle da presso arterial, e mesmo pequenas redues tm diminudo significantemente a presso, bem como riscos cardiovasculares, melhorando inclusive a resposta a drogas anti-hipertensivas.

Alm das medidas citadas anteriormente, atitudes como a realizao regular de exerccios fsicos, restrio do consumo de lcool e abandono do tabagismo equivalem a prticas necessrias ao controle da hipertenso arterial.

As medidas teraputicas no-farmacolgicas para tratamento da hipertenso fazem parte de uma mudana comportamental global. A incorporao de novos hbitos de vida auxilia na manuteno dos benefcios alcanados, desde que essas mudanas sejam permanentes.



(*) Dra. Karine de Cssia Freitas (CRN-3: 9658) nutricionista, mestre em Cincias e doutoranda em Nutrio pela Universidade Federal de So Paulo (Unifesp) e colaboradora da Comisso de Comunicao do CRN-3 Gesto 2008-2011.



Paula Craveiro
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(3/Abril/2008)

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