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Um olhar cuidadoso aos prematuros
img 17 nov/2020

Um olhar cuidadoso aos prematuros

 

 

Há um grupo especial dentro da pediatria chamado “Prematuros”. Por definição, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), conhecidos também como pré-termos, são bebês nascidos com idade gestacional inferior a 37 semanas, contados a partir do primeiro dia do último período menstrual da mulher. É um grupo de crianças que merece e necessita de cuidados específicos imediatos e em longo prazo, em todos os níveis de complexidade, bem como uma atuação interdisciplinar acerca de seus cuidados, visto que apesar do aumento das taxas de sobrevida nos últimos anos, advinda dos avanços na medicina e do melhor conhecimento técnico, ainda é um grupo que contribui com mais da metade dos óbitos neonatais.

Por ser uma causa potencialmente evitável, a prevenção desta condição se dá não apenas pela melhor assistência profissional e da melhoria dos sistemas de saúde, mas também por meio da existência de políticas públicas no sentido de diminuir as desigualdades sociais e prover acesso à assistência durante todo o curso de vida desta população.

Entendendo que a prematuridade é um processo permeado por fatores sociais, econômicos, ambientais e biológicos que interagem entre si, cabe compreender a complexidade desta condição. Ao considerar que os prematuros apresentam risco aumentado para inúmeras condições crônicas, que vão desde problemas respiratórios, alterações nos padrões de crescimento desde o período neonatal, impacto no estado nutricional pelo ganho insuficiente ou excessivo de peso, além de questões atreladas a atrasos no desenvolvimento, dificuldades de aprendizagem, entre outros, fica evidente que o cuidado contínuo a nível assistencial deve ser considerado, visto que são um grupo de risco.

O trabalho em conjunto e integrado entre os profissionais de saúde das diferentes especialidades no acompanhamento dos prematuros é fundamental e deve ocorrer de forma coordenada. Cabe aqui ressaltar o nosso papel como parte da equipe de saúde diante deste processo que engloba desde o período neonatal, passando pela primeira infância, período escolar e adolescência.

Nós, nutricionistas, devemos participar das decisões em todos os níveis do cuidado: assistenciais, governamentais, científicos e institucionais, a fim de posicionar e contribuir para as melhorias das condições dos serviços nos quais atuamos, bem como utilizar a comunicação e a nossa voz ativa profissional para levarmos essa causa adiante, visando o atendimento de excelência que esses pacientes merecem.

Estejamos engajados nesta causa tão nobre que é a prematuridade. Devemos somar esforços junto ao trabalho de todos os profissionais, acolher e empoderar as famílias e a rede de apoio, promover atendimento humanizado durante e após o período de internação. Também incentivar a oferta de leite materno e do método canguru, realizar inicial e sequencialmente a avaliação nutricional e as orientações nutricionais na alta hospitalar e no seguimento ambulatorial.

Devemos promover qualidade de vida aos pacientes e às suas famílias, e influenciar positivamente na execução das condições estruturais mínimas necessárias para o vínculo paciente-família-equipe. Afinal, também é nossa atribuição realizar um trabalho que integre e enriqueça a qualidade do cuidado na vida destas crianças que serão o futuro da nossa nação.

“Todo prematuro tem direito ao tratamento estabelecido pela ciência, sem distinção, seja de raça, cor, sexo, ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição. Assim, todo prematuro tem o direito de ser cuidado por uma equipe multidisciplinar capacitada a compreendê-lo, interagir com ele e a tomar decisões harmônicas em seu benefício e em prol de seu desenvolvimento”.

 (Artigo IV - Declaração Universal dos Direitos do Bebê Prematuro)

 

Por Camila Pugliese Nutricionista CRN-3 21787, Doutora em Pediatria pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

 

 

Referências bibliográficas:

- WHO, March of Dimes, PMNCH, Save the Children Born Too Soon: The Global Action Report on Preterm Birth. Eds CP Howson, MV Kinney, JE Lawn. World Health Organization. Geneva, 2012.

- Victora, Julia Damiani, Silveira, Mariangela Freitas, Tonial, Cristian Tedesco, Victora, Cesar Gomes, Barros, Fernando Celso, Horta, Bernardo Lessa, Santos, Iná Silva dos, Bassani, Diego Garcia, Garcia, Pedro Celiny R., Scheeren, Marola, & Fiori, Humberto H.. (2020). Prevalência, mortalidade e fatores de risco associados ao prematuro de muito baixo peso ao nascer: uma análise de 33 anos. Jornal de Pediatria, 96(3), 327-332.

- Declaração Universal dos Direitos do Bebê Prematuro. Luis Alberto Mussa Tavares, médico pediatra Campos dos Goytacazes-RJ, dezembro de 2008/janeiro de 2009.