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Saúde do homem nas diferentes fases da vida
img 15 jul/2020

Saúde do homem nas diferentes fases da vida

 

A população brasileira passa de 210 milhões de habitantes1 sendo que, cerca de 48%, são do sexo masculino2. No nosso país, o homem vive em média 7 anos a menos que as mulheres, dado que revela a necessidade de um olhar mais atento para este grupo.3

Pensando na relevância deste tema para saúde pública, a Política Nacional de Atenção Integral da Saúde do Homem (PNAISH) surgiu em 2008 com o objetivo de promover ações de saúde que contribuam significativamente para a compreensão da realidade singular masculina.

Segundo dados do relatório Perfil da Situação de Saúde do Homem no Brasil - 2012, pessoas do sexo masculino apresentam mais fatores de risco como excesso de peso, tabagismo, consumo abusivo de bebidas alcoólicas, baixo consumo de frutas, legumes e verduras, consumo de carnes com excesso de gorduras e consumo de refrigerantes, o que determinará em maior morbidade por doenças crônicas e mortalidade.

Diante deste cenário, torna-se importante a reflexão sobre a saúde masculina nos mais diferentes momentos da vida.

Infância

Relatos do Ministério da Saúde (2019) apontam que crianças acima do peso possuem 75% chances a mais de se tornarem adolescentes obesos. No Brasil, 12,9% das crianças brasileiras de 5 a 9 anos estão obesas,10 afetando em média 3% mais os meninos do que as meninas.11

Nesta fase, é indiscutível a importância do estímulo ao aleitamento, uma vez que é a porta de entrada para o início de uma alimentação que traz proteção para saúde do bebê.6 Além disso, a fase de introdução dos alimentos e a incorporação de hábitos saudáveis nos primeiros anos, tornam-se fundamentais para promoção da saúde que se perdurará por toda a vida.

Adolescencia

Na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar - 2015, um dado relevante, é o fato de 77,5% dos escolares do sexo masculino informarem que almoçam ou jantam com os pais ou responsáveis, cinco dias ou mais na semana.

Segundo o Centro Nacional de Dependência e Abuso de Substâncias (CASA) da Columbia University, quanto mais as crianças jantam com os pais, menor é a probabilidade de fumarem, beberem ou usarem drogas ilícitas. Já a Academia de Nutrição e Dietética dos Estados Unidos, relaciona ainda que os filhos que participam de jantares em família, consomem mais frutas e vegetais e menos gorduras saturadas e refrigerante.12

Adulto

Dados do Vigitel 2018 apontam que a frequência do excesso de peso entre homens, é maior (57,8%) do que entre mulheres (53,9%), e a frequência do consumo regular de frutas e hortaliças, é menor entre homens (27,7%) em comparação com o público do sexo feminino (39,2%).

Ações diferenciadas pelos serviços da saúde como, grupo de discussão entre homens ou uma comunicação estratégica que envolva esportes, devem ser desenvolvidas de maneira a atrair a atenção e engajamento deste público.

Idoso

Com o maior número de mulheres que chegam a esta fase bem como da maior procura do público feminino em atividades direcionadas para terceira idade, os serviços onde o público alvo sejam para pessoas com mais de 60 anos, acabam por serem pouco procurados pelos homens. A procura por consultas entre os homens cai ligeiramente com o aumento da idade, o que os levam a buscarem auxílio primordialmente em casos extremos.2 

Entre os casos mais graves, o câncer de próstata corresponde a uma das principais causas de morte por câncer no Brasil, atingindo principalmente homens com mais de 50 anos de idade. Estima-se que 18% da carga de câncer é devido à exposição a fatores de risco como tabagismo, dieta inadequada, prática insuficiente de atividade física, consumo abusivo de bebidas alcoólicas, além de infecções como hepatites, papiloma vírus humano e Helicobacter pylori.9

A partir dos 65 anos, observa-se um declínio na prevalência do excesso de peso.  Na faixa etária de 75 anos, o excesso de peso chega a ser 12,9% menor nos homens em comparação com as mulheres.6

Os hábitos saudáveis adquiridos nas fases anteriores e as atividades de socialização planejadas para esta fase, contribuem para uma senescência vivenciada com melhor qualidade de vida.

REFERENCIAS

1. BRASIL.Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. Gráfico mostra os 20 municípios mais populosos desde o primeiro. Disponível em:  < https://censo2020.ibge.gov.br/2012-agencia-de-noticias/noticias/25467-grafico-mostra-os-20-municipios-mais-populosos-desde-o-primeiro-censo.html> Acesso em 12 de jul. 2020.

2. _______.Ministério da Saúde; Fundação Oswaldo Cruz; Instituto da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira. Perfil da Situação de Saúde do Homem no Brasil.1 ed. Brasília, 2012.

3. ______.Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. Tábua completa de mortalidade para o Brasil – 2018: breve análise da evolução da mortalidade no Brasil.  Rio de Janeiro, 2019.

4. ______.Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. Gráfico mostra os 20 municípios mais populosos desde o primeiro. Disponível em:< https://censo2020.ibge.gov.br/2012-agencia-de-noticias/noticias/25467-grafico-mostra-os-20-municipios-mais-populosos-desde-o-primeiro-censo.html> Acesso em 12 de jul. 2020.

5. _______.Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem: princípios e diretrizes. Brasília, 2008.

6. _______.Ministério da Saúde; Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão; Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional de Saúde: 2013; Ciclos de vida; Brasil e grandes regiões. Rio de Janeiro, 2015.

7. _______.Ministério da Saúde; Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão; Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nocional de Saúde do Escolar:2015.Rio de Janeiro, 2016.

8. _______. Ministério da Saúde; Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico – Vigitel: 2018. Brasília, 2019.

9. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Global status report on non communicable diseases 2010. Geneva, 2011a.

10. BRASIL. Ministério da Educação. Obesidade Infantil é tema do Salto para o futuro. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/ultimas-noticias/33491-tv-escola/63021-obesidade-infantil-e-tema-do-programa-salto-para-o-futuro> Acesso em 12 de jul. 2020.

11. ______. Ministério da Educação. Obesidade infantil traz riscos para a saúde. Disponível em: <https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/45494-obesidade-infantil-traz-riscos-para-a-saude adulta#:~:text=Estudo%20recente%20aponta%20que%20crian%C3%A7as,adultos%20est%C3%A3o%20acima%20do%20peso.>Acesso em 12 de jul. 2020.

12. STANFORD CHILDREN’S HEALTH. Family Meals: More than good nutrition. Disponíel em: <https://www.stanfordchildrens.org/en/topic/default?id=family-meals-more-than-good-nutrition-1-2152> Acesso em 12 de jul. 2020.

 

 

 

Por Alex Wilson da Silva Fonseca, Nutricionista (CRN-3 26025)