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Dia Nacional de prevenção da obesidade
img 09 out/2020

Dia Nacional de prevenção da obesidade

O dia 11 de outubro foi estabelecido como o Dia Nacional de Prevenção da Obesidade com o objetivo de conscientizar a população brasileira sobre a importância da prevenção da obesidade (Lei No 11.721, de 23 de junho de 2008). Até o ano de 2019, na mesma data, também acontecia o Dia Mundial da Obesidade que, a partir de 2020, passa a acontecer no dia 04 de março (World Obesity Day).

Pensar em um dia específico para sensibilizar a população sobre a necessidade de prevenção da obesidade é um movimento importante para a saúde pública visto que é uma doença que acomete uma grande parcela da população no Brasil e do mundo. Segundo dados do Vigitel (2019), 55,4% dos brasileiros apresentam excesso de peso e, 20,3%, obesidade nos seus diferentes graus, um aumento superior a 70% quando comparado ao ano de 2006. Destaca-se que as maiores taxas de aumento da obesidade ocorrem em populações com maior grau de pobreza e menor nível educacional.

Entre as crianças e adolescentes, os números são igualmente preocupantes, pois, notificações do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN, 2019) revelam que 16,33% das crianças brasileiras entre cinco e dez anos estão com sobrepeso; 9,38% com obesidade; e 5,22% com obesidade grave. Em relação aos adolescentes, 18% apresentam sobrepeso; 9,53% são obesos; e 3,98% têm obesidade grave. Estudos apontam que o excesso de peso na infância pode acarretar em graves consequências para a saúde, aumentando o risco de obesidade e outras doenças crônicas não transmissíveis na adolescência e, consequentemente, na vida adulta.

Obesidade é caraterizada pelo excesso de peso proveniente do acúmulo de gordura corporal, utilizando como parâmetro para diagnóstico do estado nutricional em estudos epidemiológicos, o índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30 kg/m2, em adultos. Este índice não permite identificar a distribuição da gordura corporal, por isso, para uma avaliação mais completa é importante combinar a medida de massa corporal à distribuição de gordura, considerando fatores étnicos e genéticos.

De causa multifatorial, a obesidade surge como resultado de uma complexa combinação de fatores biológicos, comportamentais, socioculturais, ambientais e econômicos. O estilo de vida moderno é marcado pela redução das atividades de lazer e exercícios físicos e aumento do sedentarismo, integrado a um maior consumo de alimentos com alta densidade calórica, baixa qualidade de nutrientes, de sabores e texturas desejáveis associados a um custo acessível, práticas essas que contribuem para o desequilíbrio energético (consumo de energia superior ao que se gasta), favorecendo o desenvolvimento da obesidade.

Outros fatores como alterações neuroendócrinas, relacionadas à produção de hormônios e processos regulatórios como a fome e a saciedade, além das genéticas combinadas ao estilo de vida e ambiente, e muitas características individuais e sociais têm sido estudadas como raízes do desenvolvimento da obesidade tais como: qualidade de sono, saúde mental, associação de fármacos, aleitamento materno, diminuição do tabagismo, poluição ambiental e assistência à saúde.

Estratégias e recomendações para o tratamento e prevenção da obesidade incluem adoção de hábitos de vida saudáveis como alimentação pautada nas diretrizes do Guia Alimentar para a População Brasileira, sendo incentivado o consumo de alimentos in natura, especialmente de frutas, legumes e verduras, grãos integrais e redução dos alimentos com excesso de açúcares, gorduras, sódio e baixo teor de fibras, bebidas açucaradas, e produtos altamente processados. Incluem, ainda, o incentivo à prática de atividade e exercícios físicos e o combate ao sedentarismo como uma das estratégias importantes que favorecem, não apenas o equilíbrio energético e combate a obesidade como, também um componente importante da prevenção e tratamento da doença coronariana, diabetes, hipertensão arterial, doenças musculoesqueléticas, renais, respiratórias e da depressão.

Já na abordagem clínica do tratamento da obesidade, admite-se a adoção de medicamentos conjugados às adaptações de estilo de vida com hábitos saudáveis e, nos casos de perda de peso insuficiente e pouca melhoria no quadro de comorbidades, pode ser indicada a intervenção cirúrgica, como a bariátrica.

Por fim, estratégias e recomendações para o tratamento da obesidade devem ser pautados em bases de evidências científicas para uma perda de gordura corporal sustentada, evitando dietas restritivas e priorizando a mudança de comportamentos e hábitos alimentares não cedendo a modismos. A atenção deve ser centrada no indivíduo e isenta de julgamentos, incluindo intervenções no âmbito da educação alimentar e nutricional, comportamentais, políticas, sociais, econômicas, requerendo a implementação de políticas públicas intersetoriais para o enfrentamento no âmbito da saúde pública.

 

Principais documentos e sites consultados:  

ABESO.  Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica. Diretrizes brasileiras de obesidade 2016 / ABESO 4.ed. São Paulo, SP, 2016.

BRASIL. Agência Nacional de Saúde Suplementar. Diretoria de Normas e Habilitação dos Produtos. Gerência-Geral de Regulação Assistencial. Gerência de Monitoramento Assistencial. Coordenadoria de Informações Assistenciais. Manual de diretrizes para o enfretamento da obesidade na saúde suplementar brasileira [recurso eletrônico]. Rio de Janeiro: ANS, 2017

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis. Vigitel Brasil 2019: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico: estimativas sobre frequência e distribuição sociodemográfica de fatores de risco e proteção para doenças crônicas nas capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal em 2019 [recurso eletrônico]. Brasília: Ministério da Saúde, 2020.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira / Brasília: Ministério da Saúde, 2014.

 

Escrito por Irene Coutinho de Macedo, nutricionista e conselheira do CRN-3