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Dia Mundial da Alimentação: Obesidade
img 14 out/2020

Dia Mundial da Alimentação: Obesidade

 

O conceito de má nutrição não é só a falta de acesso aos alimentos e o baixo nível de ingestão de energia alimentar, é um conceito muito mais amplo que abrange tanto a desnutrição quanto o alto consumo de calorias, definida como má nutrição por excesso. Há também a dupla carga de doenças, em que ambos os problemas de déficit e excesso nutricional coexistem, muitas vezes na mesma família e até mesmo no mesmo indivíduo, por exemplo, nos casos de indivíduos com obesidade e carência de vitaminas e minerais.

De acordo com o Vigitel, Sistema de Vigilância de Fatores de Risco para doenças crônicas não transmissíveis do Ministério da Saúde, entre 2006 e 2019, a obesidade cresceu 72% no Brasil. A porcentagem de brasileiros obesos passou de 11,8%, no início de 2006, para 20,9% em 2019. Em resumo, dois a cada dez brasileiros hoje sofrem com esse problema. 

Para discutir ações de prevenção e controle da obesidade, foi instituído o Pacto Nacional para Alimentação Saudável, uma iniciativa da Caisan Nacional, representada pelo MDS, com participação do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação do Ministério da Educação (FNDE/MEC), e do Ministério da Saúde (MS), cujo objetivo é ampliar as condições de oferta, disponibilidade e consumo de alimentos saudáveis para combater o sobrepeso, a obesidade e as doenças decorrentes da má alimentação da população brasileira. O Decreto nº 8.553/2015 definiu diretrizes e eixos de ação:

 

I. Aumentar a oferta e a disponibilidade de alimentos saudáveis, com destaque aos

provenientes da agricultura familiar, orgânicos, agroecológicos e da sociobiodiversidade.

II. Reduzir o uso de agrotóxicos e induzir modelos de produção de alimentos agroecológicos.

III. Fomentar a educação alimentar e nutricional nos serviços de saúde, educação e

assistência social.

IV. Promover hábitos alimentares saudáveis para a população brasileira.

V. Reduzir de forma progressiva os teores de açúcar adicionado, gorduras e sódio nos alimentos processados e ultraprocessados.

VI. Incentivar o consumo de alimentos saudáveis no ambiente escolar, bem como a

regulamentação da comercialização, da propaganda, da publicidade e da promoção

comercial de alimentos e bebidas em escolas públicas e privadas, em âmbito nacional.

VII. Fortalecer as políticas de comercialização e de abastecimento da agricultura familiar.

VIII. Aperfeiçoar os marcos regulatórios para o processamento, a agroindustrialização

e a comercialização dos produtos da agricultura familiar.

O sobrepeso e a obesidade são condições que interferem na qualidade de vida do indivíduo e da coletividade, além de ser um forte fator de risco para o desenvolvimento de DCNT, com impacto expressivo na taxa de mortalidade do Brasil e, consequentemente, nos custos do SUS.

 

Texto de Camila Alves, Rosana Nogueira e Osvaldinete Lopes, Conselheiras do CRN-3.