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DOENÇAS CARDIOVASCULARES E COVID -19
img 29 set/2020

DOENÇAS CARDIOVASCULARES E COVID -19

 

As doenças cardiovasculares afetam direta ou indiretamente o coração e/ou vasos sanguíneos, incluindo problemas estruturais e a formação de coágulos. Entre as mais frequentes, e que possuem relação direta com a alimentação e o estilo de vida estão a hipertensão, a dislipidemias e a aterosclerose, além de outras doenças crônicas que são importantes fatores de risco para as cardiovasculares, como o diabetes tipo 2 e a obesidade.

 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que as doenças cardiovasculares representem cerca de 70% das mortes no mundo, junto com alguns tipos de câncer. A gravidade dessas doenças, associada a todas as alterações metabólicas que as compreendem, torna essa população mais vulnerável a infecções.

O cenário atual de pandemia traz uma preocupação ainda maior para essa população, considerada do grupo de risco da Covid-19, ou seja, são pessoas com maior probabilidade de manifestar sintomas graves da doença, podendo levar à morte.

Outro fator importante são as sequelas que o vírus pode deixar, visto que o SARS-CoV-2 interfere no metabolismo e na fisiopatologia das doenças cardíacas, podendo ocorrer desde instabilização das placas de colesterol, e, possivelmente, levando a formação de trombos, AVC e infarto, até miocardites importantes, que pode gerar disfunção cardíaca e arritmias.

A adoção de hábitos saudáveis, como nutrição adequada, sono e atividade física regular, e ainda evitar exposição ao tabagismo e etilismo, pode colaborar para a prevenção de desfechos cardiovasculares precoces, otimizando a recuperação desses indivíduos.

A ingestão de alimentos considerados aliados para prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares, deve ser incentivada para potencializar as terapias empregadas na recuperação e proteção contra infecções como a Covid-19, tais como os que definem o Padrão Alimentar Mediterrâneo.

Assim, recomenda-se o consumo de frutas e hortaliças, cereais e grãos integrais, azeite de oliva, oleaginosas, lácteos desnatados, peixes e aves, e menor consumo de alimentos fontes de gorduras saturadas e trans. Compondo uma dieta rica em alimentos com compostos antioxidantes, vitaminas A, D, E, C, flavonoides, ácidos graxos poli-insaturados, ômega 3, e minerais como zinco e selênio.

É importante ressaltar que, assim como em outras doenças respiratórias, na doença pulmonar obstrutiva crônica e asma, por exemplo, o padrão alimentar ocidental, que em geral é composto de alimentos ricos em grãos refinados, carnes curadas, doces, e pobres em fibras e nutrientes essenciais, está ligado a um pior prognóstico, além de acentuar os eventos inflamatórios.

Desta forma, o incremento de uma alimentação pautada nas recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira (2014), associadas às recomendações, já citadas, que compõem a Dieta do Mediterrâneo, pode auxiliar na manutenção da saúde do coração, na prevenção e na recuperação da Covid-19.

Confira abaixo os principais alimentos cardioprotetores e suas funções:

Abacate e azeite de oliva: são ricos em ácidos graxos monoinsaturados, vitamina E, compostos fenólicos e b-sitosterol (fitosterol), que possuem ação antiaterogênica e antioxidante, contribuindo  na redução dos níveis de colesterol total, e LDL-colesterol e triglicérides, auxiliando no aumento do HDL-colesterol. O consumo desses alimentos está associado à melhora da função endotelial e da adesão monocitária, além de reduções de marcadores inflamatórios e agregação plaquetária.

Sementes de linhaça e chia: são fontes de fibras e de ácidos graxos alfalinolênico (ALA), também conhecido como ômega 3 de origem vegetal. Podem atuar como coadjuvantes para melhora do perfil lipídico, controle glicêmico e redução do risco cardiovascular.

Suco de uva integral e chocolate amargo: possuem grandes concentrações de polifenóis, pigmentos naturais presente em vegetais. Atuam como vasodilatadores, promovendo o relaxamento do endotélio, auxiliam na redução de níveis de triglicérides, reduzindo o risco de aterosclerose, são anti-inflamatórios e previnem a formação de trombos.

Farelo de aveia: rico em beta-glucana, uma fibra solúvel, que promove aumento da síntese de ácidos biliares, reduzindo a absorção de colesterol, colaborando com a redução dos níveis de Colesterol Total e LDL-colesterol.

Proteína de soja: rica em proteínas, vitamina E, ácidos graxos, ômega-3 e ômega-6, tem seu consumo diário associado à redução de LDL-colesterol, ao aumento de HDL-colesterol e à redução na concentração de Triglicérides.

Iogurtes ricos em probióticos: podem atuar como coadjuvantes na prevenção e tratamento da hipercolesterolemia, uma vez que o consumo de cepas de Lactobacillus acidophilus, L. acidophilus e Bifidobacterium lactis, e Lactobacillus plantarum já demonstraram discreta redução nos níveis de LDL-colesterol.

 

 

 

Askin et al. COVID-19 e doenças cardiovasculares. Arq Bras Cardiol. 2020; 114(5):817-822 (DOI: https://doi.org/10.36660/abc.20200273).

MPG Dias, C Correia, AC Moreira. Nutritional Intervention During COVID-19 Pandemic. GAZETA MÉDICA Nº2 VOL. 7 ABRIL/JUNHO, 2020.

Santos R.D. et al. I Diretriz sobre o Consumo de Gorduras e Saúde Cardiovascular. Arq Bras Cardiol. 2013;100(1Supl.3):1-40.

 

Por Priscila Moreira, nutricionista e conselheira do CRN-3