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COVID-19 e amamentação: não há evidências científicas de transmissão vertical
img 12 mai/2020

COVID-19 e amamentação: não há evidências científicas de transmissão vertical

A Organização Mundial da Saúde (OMS), o Centro de Controle de Doenças (CDC), o Ministério da Saúde (MS), a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e várias outras instituições científicas orientam a manter a amamentação por falta de evidências científicas que comprovem que o leite materno possa disseminar o coronavírus. Até o momento não há documentação de transmissão vertical pela amamentação.

Semana passada foi publicada um carta pelo The New England Journal of Medicine que evidenciou um estudo clínico feito na China com dados oficiais de 118 gestantes com Covid-19 acompanhadas durante 3 meses. Nos dados analisados observaram que nenhuma mãe transmitiu Covid-19 no leite materno.

Todas as instituições científicas destacam que os benefícios da amamentação superam quaisquer riscos potenciais de transmissão do vírus através do leite materno. Uma vez que as mães infectadas pelo coronavírus já colonizaram seus bebês, a amamentação continuada tem o potencial de transmitir anticorpos maternos protetores para a criança.

Por isso, desde que a mãe deseje amamentar e esteja em condições clínicas adequadas para fazê-lo, a amamentação deve ser mantida. Para tanto, a mãe infectada deverá ser orientada quanto as medidas preventivas necessárias*: lavar as mãos antes de tocar no bebê na hora da mamada e usar máscara facial durante a amamentação para reduzir o risco de transmissão do vírus através de gotículas respiratórias.

No caso da mãe não se sentir à vontade para amamentar diretamente a criança, ela pode extrair o seu leite manualmente ou usar bombas de extração (com higiene adequada) e um cuidador saudável poderá oferecer o leite ao bebê por copinho, xícara ou colher.

Já no caso de doação de leite materno aos bancos de leite, o Ministério da Saúde (MS) considera prudente manter a recomendação de doação de leite humano somente por lactantes saudáveis e sem contato domiciliar com pessoas com síndrome gripal. Ou seja, é contraindicada a doação por mulheres com sintomas compatíveis com síndrome gripal, infecção respiratórias ou confirmação de caso da COVID-19 e até mesmo de mulheres que tenham contato domiciliares com síndrome gripal ou caso confirmado de COVID-19.

*1. Lavar as mãos por pelo menos 20 segundos antes de tocar o bebê ou antes de retirar o leite materno (extração manual ou na bomba extratora);

2. Usar máscara facial (cobrindo completamente nariz e boca) durante as mamadas e evitar falar ou tossir durante a amamentação;

3. A máscara deve ser imediatamente trocada em caso de tosse ou espirro ou a cada nova mamada;

4. Em caso de opção pela extração do leite, devem ser observadas as orientações disponíveis no documento: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cartilha_mulher_trabalhadora_amamenta.pdf

5. Seguir rigorosamente as recomendações para limpeza das bombas de extração de leite após cada uso;

6. Deve-se considerar a possibilidade de solicitar a ajuda de alguém que esteja saudável para oferecer o leite materno em copinho, xícara ou colher ao bebê.

7. É necessário que a pessoa que vá oferecer ao bebê aprenda a fazer isso com a ajuda de um profissional de saúde.

Por Camila Alves, Nutricionista e Conselheira do CRN-3