Notícia

Apoie a amamentação para um planeta saudável
img 06 ago/2020

Apoie a amamentação para um planeta saudável

 

A saúde do planeta é entendida como “a saúde da civilização humana e o estado dos sistemas naturais dos quais ela depende”1. Isto requer ações sustentáveis que atendam às necessidades atuais da raça humana e do planeta, sem comprometer as gerações futuras2.

O aleitamento materno é uma das ações que contribui de forma relevante para o desafio de se alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável proposto pela Organização das Nações Unidas (ONU) número 12 que recomenda aos países assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis para limitar o aquecimento global e as mudanças climáticas que assolam nosso planeta3.

Além dos benefícios conferidos à saúde da criança e da lactante, a amamentação é uma prática ecológica, renovável e sustentável que não gera e ainda evita o descarte de substâncias tóxicas no meio ambiente; sendo, portanto, fundamental para a sustentabilidade global4. O leite materno é uma substância viva, um recurso natural produzido na quantidade necessária, biologicamente ajustado às necessidades de seu consumidor, naquele momento. É o único alimento produzido e liberado para consumo sem nenhuma manipulação, não gera desperdício e nem resíduos, e contribui para a segurança e soberania alimentar e da água.

Por outro lado, a cadeia produtiva dos substitutos do leite materno, por ser um alimento processado, não renovável, resulta na produção de diversos poluentes ao ecossistema.  Requer energia para fabricação e preparo no uso diário, materiais para embalagens, combustível para distribuição e usa cerca de 4.000 litros de água para a produção industrial de 1 kg de pó de fórmula infantil. Estima-se que, só nos Estados Unidos, essa cadeia gere cerca de 550 milhões de latas, 86.000 toneladas de metal e 364.000 toneladas de papel, lançados como lixo no meio ambiente, anualmente4. Além das mamadeiras, bicos e demais acessórios feitos de plástico, vidro, borracha e silicone, que pouco reciclados ao final de sua vida útil, são também fontes contaminantes.   

Outro aspecto incluído no processo de produção das fórmulas infantis que ameaçam o meio ambiente é a pecuária, listada entre os maiores contribuinte nas emissões de gás metano, um dos gases de efeito estufa (GEE) lançados na atmosfera, colaborando para o aquecimento global e as mudanças climáticas5. Para criar gado, é preciso desmatar, o que leva consequentemente, à erosão e exaustão do solo, ao aumento de gases de efeito estufa, além da redução de flora e fauna decorrente da mudança do solo.

Emissão de dióxido de carbono, óxido nitroso, metano e outros gases de efeito estufa, resultados da ação humana, elevaram as temperaturas globais em mais de 1 grau desde os tempos pré-industriais6.  Nossos sistemas alimentares e padrões de consumo também contribuem significativamente para a degradação do meio ambiente e as mudanças climáticas.

 Relatório publicado pela Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar (IBFAN) - Ásia e Rede de Promoção da Amamentação na Índia (BPNI), estimou que as vendas de fórmulas lácteas em 6 países analisados em 2012 (Austrália, Coreia do Sul, China, Malásia, Índia e Filipinas) foram responsáveis pela emissão de cerca de 2,89 milhões de toneladas de GEE que contaminaram o meio ambiente5.

Estratégias para proteger, promover e apoiar a amamentação estão entre as ações sustentáveis possíveis e necessárias, que devem ser implementadas nos níveis individual, familiar e institucional. Por estes motivos, a semana mundial da amamentação de 2020 (SMAM2020) objetiva informar as pessoas sobre a relação entre aleitamento materno e meio ambiente e mudanças climáticas; divulgar a amamentação como uma decisão climática inteligente; sensibilizar indivíduos e organizações para a importância desse tema; e implementar ações para melhorar a saúde do planeta e das pessoas através da amamentação2.

Leia na íntegra o conteúdo do tema da SMAM2020 no link abaixo: https://worldbreastfeedingweek.org/2020/wp-content/uploads/2020/06/action-folder-2020_Brazillian-Portuguese-1.pdf

Referências

1.       Whitmee S. et al. Safeguarding human health in the anthropocene epoch: report of The Rockefeller Foundation – Lancet Commission on planetary health. The Lancet, 386(10007), 1973-2028.

2.       WABA (2020). Apoie o aleitamento materno para um planeta saudável. Disponível em: https://worldbreastfeedingweek.org/2020/wp-content/uploads/2020/06/action-folder-2020_Brazillian-Portuguese-1.pdf

3.       United Nations Organization. The UN Millennium Development Goals. 2015 [Internet]. [Acess in 10 de sep. 2018]. Available: http://www.un.org/sustainabledevelopment/sustainabledevelopment-goals/

4.       Rollins NC, Bhandari N, Hajeebhoy N, Horton S, Lutter CK, Martinez JC et al. Why invest, and what it Will take to improve breastfeeding practices? Lancet. 2016; 387:491-504

5.      International Baby Food Action Network (IBFAN).  Report on Carbon Footprints Due to Milk Formula: A study from selected countries of the AsiaPacific region. Acess em 24/07/2020. Available in: http://www.ibfanasia.org/docs/Carbon-Footprints-Due-to-Milk-Formula.pdf

6.       Richie, H. & Roser M. (2017). CO2 and greenhouse gas emissions. Our World in Data. Available in:https://ourworldindata.org/co2-and-other-greenhouse-gas-emissions?source=post_page.

 

Por Osvaldinete Lopes, Nutricionista e Conselheira do CRN-3