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20 de Novembro: Dia da Consciência Negra e a(o) Nutricionista com isso?
img 20 nov/2020

20 de Novembro: Dia da Consciência Negra e a(o) Nutricionista com isso?

De acordo com a Lei Federal nº 12.519/2011, no dia 20 de novembro é comemorado o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, data que, primeiramente, foi posta no calendário escolar, conforme a Lei Federal nº 10.639/2003, onde obriga o ensino sobre História e Cultura Afro Brasileira no ensino fundamental e médio, e posteriormente, foi instituída como data comemorativa no calendário nacional. A data foi escolhida em memória do falecimento de um dos maiores líderes antiescravagistas, Zumbi, do Quilombo dos Palmares.

Quando pensamos no contexto brasileiro atual, a população negra (pretos e pardos) representam 56%, de acordo com a PNAD Contínua (2012/2019), porém, ainda hoje, poucas pessoas dessa população ocupam cargos de decisão, e é inegável o fato de que isso decorra do processo histórico de 388 anos, em que pessoas negras foram escravizadas e apenas 132 anos de “liberdade” dessa população. Sendo assim, pensar ações que também possibilitem a presença dessas pessoas em diversas funções e de modo perene é ser antirracista na prática.

Proporcionar espaços e ambientes que possam incluir pessoas negras (pretos e pardos), brancas, indígenas, da comunidade LGBTQIA+, com deficiência e de outras etnias é fundamental para que haja diferentes pontos de vista e formas de se fazer Nutrição enquanto ciência.

Enquanto Nutricionistas, lidamos com clientes e/ou pacientes diversos, desse modo, é urgente conhecermos outras perspectivas, de maneira que reconheça e proporcione a todos profissionais serem protagonistas, contarem suas visões sobre Nutrição e fazer ciência a partir de epistemes distintas, com referências que também façam sentido e gerem identificação, até para que sejamos capazes de atender melhor diversos clientes/pacientes de forma ética.

  A filósofa Djamila Ribeiro e psicóloga Grada Kilomba afirmam que precisamos ter consciência de nossos lugares de fala e sair do estado de negação e não reconhecimento do outro. E de fato, enquanto profissionais da saúde, é essencial que reconheçamos a existência desses “lugares sociais” que permeiam nossa sociedade e estarmos atentos às particularidades, subjetividades daqueles que atendemos, com quem estudamos e/ou trabalhamos. Não exclusivamente presos a dados numéricos e estatísticos referentes a esses indivíduos, se não corremos o risco de desumanizar os indivíduos e romantizar atitudes capazes de perpetuar violências.

Nessa data, gostaria que refletíssemos a Nutrição que temos hoje e a que desejamos para o futuro e deixar alguns questionamentos: como podemos ser melhores profissionais e promotores de saúde e bem-estar para todos? Quais ações podemos tomar enquanto profissionais para que tenhamos uma ciência mais inclusiva na prática?

Lais Domiciano dos Santos

CRN-3 57078/P